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Adaptando desenhos animados para o cinema

Adaptando desenhos animados para o cinema

Por Celbi Pegoraro

Assisti duas vezes a "Speed Racer" na HBO, e me veio a mente que já era hora de escrever sobre as adaptações de desenhos animados. Se já é difícil transformar um desenho de 7 minutos em um de 90, é mais complicado ainda adaptar o desenho para um filme live-action (de ação real). Há problemas sérios nesse tipo de adaptação pois, em geral, os produtores gostam do desenho que o originou, mas não tratam o material com o devido respeito e cuidado.

O filme não pode parecer infantil demais (até porque, novamente em geral, muitos desenhos não foram feitos para crianças), não pode ser dramático demais, e nem bobo demais. O ideal mesmo é não tentar reinventar a roda.

Se uma adaptação precisa ser feita (sempre há tempo para voltar atrás... que me ouçam os responsáveis por "Os Jetsons"), o ideal é tentar encontrar a alma do desenho animado. Elencando notas de uma forma muito pessoal, passarei a comentar a seguir, alguns exemplos dessas produções.

"George, O Rei da Floresta" (1997). Adaptado de um desenho animado que teve apenas 17 episódios - criação de Jay Ward, o mesmo criador de "As Aventuras de Alceu e Dentinho" (cuja horripilante adaptação deixei fora desta lista), "George of the Jungle" trata-se de uma sátira ao Tarzan. O filme da Disney foi a grande zebra do ano. Em 1997, a Disney esperava grandes recordes com a animação "Hércules" - mas o herói grego enfrentou nada menos que o trio "Batman & Robin", "O Mundo Perdido - Jurassic Park" e "Men in Black" na mesma temporada.

De mansinho, "George" estreou no fim do verão e foi um grande sucesso de bilheteria. Estrelado por Brendan Fraser (num de seus raros filmes bons), o filme conseguiu a façanha de capturar o nonsense básico do desenho dos anos 1960. A "idiotice" do protagonista não chega a soar infantilóide e o humor é genuinamente bem construído. Sem reinventar a roda, o filme merece uma nota 9.

"Os Flintstones" (1994). O ano era 1994... Plano Real començando e fui conferir este filme com os amigos. Confesso que faltou pouco para dar nota 9. Mas o pequeno desconto é justicável. "Os Flintstones", excelente produção de Steven Spielberg, é um filme que também captura muito bem a alma do desenho animado. Pega aquela rotina diária de uma família, os vizinhos, o trabalho... tudo em clima de Idade da Pedra, como no desenho.

Mas há dois grandes poréns no filme. O primeiro é que o filme entra num clima dramático demais para uma comédia quando Fred se vê forçado a demitir todos os seus colegas.. e o drama é alongado de forma não muito condizente, a meu ver, com o desenho animado. O segundo porém, muito criticado na época, foi a escolha da Elizabeth Taylor como a sogra de Fred (muito diferente da versão animada) e de Rosie O´Donell como uma irreconhecível e chata Betty.

Tirando isso, o filme faz jus ao desenho e, por isso, a nota 8. Fuja da continuação "Viva Rock Vegas"!

"Gasparzinho" (1995), outra produção de Spielberg, é um daqueles raros casos onde uma pequena mudança poderia estragar completamente o filme. Repleto de referências para fazer rir, o filme ousou em tentar trazer mais dramaticidade ao lidar com o tema da morte. Os efeitos visuais, na época, com os fantasmas em CGI foram literalmente um assombro para o público, que lotou os cinemas.

Mas leva uma nota 7, pois o fantasminha camarada perdeu parte da irritante ingenuidade do desenho animado clássico, fora o desperdício de talento de Eric Idle como comparsa de Cathy Moriarty (exagerada demais no papel de vilã). Aliás, vale a nota de que cortaram uma cena da Zelda Rubinstein (de "Poltergeist") falando "Vão em direção à luz" - seria impagável. Mas o clima do filme lembra muito o do desenho.

"Speed Racer" (2008). Ai ai ai.. Go Speed! De todos da lista foi o que assisti mais recentemente. Mais de uma vez! Adaptado do mangá e anime dos anos 1960, os irmãos Wachoswski (os mesmos diretores de "Matrix"), dirigiram um filme que é bastante discutível. Há quem ame, mas a verdade é que este filme reforça que os irmãos diretores só foram geniais mesmo em "Matrix" (e falo do primeiro, pois as continuações melhor nem comentar). Visualmente espetacular e com humor até razoável, o filme decepciona enormemente por ser infantil e previsível demais.

Nas corridas, em nenhum momento há a sensação de risco físico aos personagens - e o excesso de cores as vezes torna a situação meio falsa. Em diversos momentos é possível prever acontecimentos futuros no filme. Logo que aparece o Corredor X, minha mãe (que assistia ao filme pela primeira vez) comentou "Ele é o irmão do Speed!". O filme ainda tem diálogos simplórios e cenas um tanto desconexas. A verdade é que vendo o filme tive vontade de rever o desenho animado, que me parecia mais inteligente e adulto. A nota 5,5 é porque, pelos efeitos, o filme merece estar acima da média.

"Scooby-Doo" (2002). É uma das adaptações mais bobas já feitas para o cinema. Extremamente canhestra e caricatural, "Scooby-Doo" é aquilo que menos se espera de uma adaptação. O filme não chega a ser infantil demais, mas é bobo demais. Efeitos visuais de gosto duvidoso, situações esdrúxulas, interpretações apenas razoáveis... o único que se salva é o cão Scooby, ironicamente uma animação computadorizada.

O desenho animado, verdade seja dita, nunca foi perfeito. Muitos que trabalharam na série tinham desgosto, pois eram forçados a repetir fórmulas (coisa de Hanna-Barbera). Mas pelo menos o desenho divertia, ao mesmo tempo que apresentava um bom suspense. Por isso leva nota 3. Dica: Fuja do "Scooby-Doo 2".

"Transformers" (2007). Já é suspeito quando estamos falando de um brinquedo que se tornou desenho animado. E de um desenho que se tornou uma franquia, e agora de filmes. A realidade é que, apesar de popular na década de 1980, "Transformers" sempre foi em animação um "produto de segunda". Nunca alcançou um status de qualidade de outras séries da época como "He-Man" ou "Thundercats". O filme, novamente produção do Spielberg, tem como único bom atrativo os efeitos visuais. Os robôs se movimentam com incrível fluidez, ao mesmo tempo que a perfeição as vezes impede saber quem é mocinho e bandido em algumas cenas.

Apelidado por muitos como "o filme que me fez perder 2 horas de vida", vale uma nota 0. Se bem que a continuação parece merecer uma nota negativa.

E agora vamos esperar pelas futuras adaptações.. "Os Smurfs", "Jonny Quest", e se alguém não impedir, "Os Jetsons".

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