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Lições para a Animação Brasileira

Lições para a Animação Brasileira

por Celbi Pegoraro

Em dezembro, o Jornal da Globo exibiu uma reportagem longa e muito interessante sobre o aumento impressionante da produção de filmes e séries de animação no Brasil. A tecnologia proporcionou que os brasileiros finalmente pudessem produzir com mais facilidade e qualidade, e entrar de vez no problemático mercado de exportação.

Enquanto o Brasil produziu cerca de 20 filmes em cinco décadas, o início desta década (começando por 2010) já possui 20 filmes de animação em produção e desenvolvimento. É espetacular.

Um dos destaques da reportagem foi o investimento em material técnico. Imagens da Start Desenhos Animados, responsável por "O Grilo Feliz e os Insetos Gigantes", mostrou poderosas máquinas com os softwares mais avançados na produção da animação. Mas a pergunta que precisa ser feita é: "A animação brasileira está no caminho certo?"

A resposta é "Sim!", mas é preciso ver com cautela alguns pontos para que isso não se torne uma frustração coletiva no futuro. Que tal enumerar alguns pontos problemáticos no mundo da animação brasileira? Vamos lá:

1-) ROTEIROS - Quem é entusiasta de animação já deve ter lido ou visto várias vezes imagens de Walt Disney falando a importância de uma boa história. Ou então do Jeffrey Katzenberg destacando o desenvolvimento dos personagens. E ainda o John Lasseter falando que a história é a alma do filme.

Pois bem, o Brasil tem deficiência de roteiristas. São poucos os bons, e isso reflete numa pobre oferta de boas idéias a serem exploradas, seja em animação, televisão, novelas, filmes, etc. É necessário um investimento no roteirista! É ele quem vai pegar a idéia maluca do diretor, produtor, sei lá quem, e transformar em algo de boa qualidade.

2-) PRODUCTION VALUES - Os "Valores de Produção". Quando o primeiro longa de animação brasileiro, "Sinfonia Amazônica" foi exibido no SESC Consolação (em São Paulo), o professor Álvaro de Moya apontou alguns pontos interessantes sobre os "valores de produção". Por que as novelas da Globo são as melhores? Por que a Record e o SBT têm tanto trabalho para fazer igual? Simples! Porque além da história e dos bons atores, a Globo tem uma estrutura de excelente qualidade, bons iluminadores, cenografistas, figurinistas, etc. É aquele povo que não aparece na frente da câmera e faz a mágica acontecer.

Moya também lembrou quando uma empresa gráfica se gabou de ter comprado, ainda nos anos 90, computadores com o mesmo software que fez os dinossauros em "Jurassic Park". Só que quando começaram a utilizar esse equipamento no Brasil, os americanos já estavam com uma tecnologia duas ou três vezes melhor, fazendo coisas ainda mais mirabolantes. Em resumo, não dá para apostar em uma coisa só. É necessário ter boa qualidade em todos os níveis! Seja na animação, seja nas vozes, nas histórias, na direção de arte, nos efeitos e tudo mais. Não dá para comparar os curtas antigos da Turma da Mônica com os mais recentes em estilo "flash". A comparação é uma vergonha.

3-) MÚSICA E EFEITOS SONOROS - Uma parte importante de um projeto de animação é a música e os efeitos sonoros. Não adianta querer menosprezar esses dois pontos em nome do orçamento. São tão importantes para a criaçãos dos "valores de produção" quanto a animação em si. Alguém já notou que as animações sempre são favoritas aos prêmios de canção e trilha sonora? "Os Incríveis", da Pixar, levou um Oscar por Edição de Som.

4-) PARA QUEM É O FILME? - Um dos maiores defeitos da produção nacional é o filme não ser bem planejado para o público certo. No Anima Mundi é comum ver curtas em que a história só é compreensível para quem criou. Atenção, animadores e produtores que desejam que seus filmes sejam assistidos por um grande público: Faça o filme para o público! Como? Se o filme faz você e sua equipe rirem, é bastante provável que o público vá gostar. E fuja da fórmula "Animação é para criança!" - tecnicamente nunca foi só para criança, mas hoje o foco mais abrangente está ainda mais cristalizado.

5-) FOMENTO GOVERNAMENTAL- É muito bacana o governo investir em cultura, não? É sim! Mas é uma tremenda armadilha. Esse investimento pode amarrar a produção e chega uma hora que as alterações se tornam impossíveis. OK, é preciso do dinheiro? Tudo bem, mas seria legal um esforço (e uma dose de sorte) para não precisar desse dinheiro. Fora que os fomentos muitas vezes direcionam o tema dos filmes. E do jeito que a coisa vai, daqui a pouco só sai dinheiro para filme que fale dos problemas sociais do Brasil. Tente evitar o dinheiro público! Uma boa saída tem sido os acordos de co-produção internacionais - exemplo do Canadá (Peixonautas, Meu Amigãozão).

6-) MARKETING NA WEB - Você tem seu curta, seu projeto pessoal ainda em desenvolvimento, ou o seu filme está em produção. Use a internet a seu favor. Tem o YouTube, tem o Twitter, outras redes sociais. Faça da internet sua ferramenta para divulgar os projetos muito antes do lançamento. Até porque, é bom lembrar, ainda há a concorrência dos pesos pesados de Hollywood.

7-) ESTUDE - Há boas escolas de animação no Brasil, especialmente no eixo Rio-São Paulo. Mas fora isso, assista muitas animações, filmes, leia livros (os melhores são importados) e conheça mais a história (da animação e geral). Isso evitará repetições e pseudo-novidades.

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