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Desenhos que geram controvérsia

Desenhos que geram controvérsia

Nem o veterano personagem Tintin resiste a corrente do politicamente correto. Confiram esta nota publicada pela agência Ansa via Folha online.

"A cadeia de livrarias britânicas Borders retirou da seção infantil o livro "Tintin no Congo", da série de livros que narra as aventuras do jovem jornalista belga, por considerar que a obra contenha conteúdo racista. A Comissão para a Igualdade Racial (CRE), afirmou ser inaceitável que qualquer livraria do Reino Unido venda o popular livro de desenhos da década de 1930 devido aos estereótipos racistas presentes no volume. O livro inclui uma cena em que Tintin é nomeado chefe de uma tribo africana por ser um "bom homem branco".

"Este livro contêm imagens e palavras muito prejudiciais racialmente, com nativos selvagens descritos como macacos e que falam como imbecis. Isto é inaceitável como literatura para menores", disse uma porta-voz do CRE. "Este tipo de literatura é muito ofensiva para muitos e deve ser retirada das estantes infantis de imediato" acrescentou. Para a CRE, os livros de Tintin somente deveriam ser mostrados "em museus", com uma advertência escrita "material ultrapassado, totalmente racista".

Uma porta-voz de Borders confirmou que a série de Tintin será retirada das estantes da seção infantil, no entanto não deixará de ser vendida na parte de literatura para adultos. A Waterstone's, outra importante cadeia de livrarias do país, declarou que não vai censurar o livro."

Agora comentando... Por mais ofensivo que a história ou o desenho seja, é urgentemente necessário que as pessoas entendam o contexto na qual esses projetos foram produzidos. Naquela época era possível essa visão sem grandes problemas. Apenas na década de 1950, com a ampliação e a luta pelos direitos civis, principalmente nos EUA, muita coisa mudou, tendo estúdios e editoras se adaptando a um mundo mais "politicamente correto". Agora esconder algo, no caso de Tintin, que foi produzido nos anos 1930, sob pretexto de ofensa racial e produto danoso à mente infantil, não dá. Fez certo a Borders de mudar o livro de seção (para público adulto). Ou que fizessem como a Disney que inseriu o crítico Leonard Maltin explicando o contexto das produções de guerra no DVD sobre o período de guerra. É lógico que muitas das circunstâncias mostradas são ofensivas, isso é inegável. Agora proibir não, contextualizar sim!

Já o historiador Michael Barrier destaca uma crítica ao DVD do filme "Dumbo", escrita por Glenn Erickson ("DVD Savant"), que inseriu num rodapé de texto que se lembra na década de 1970 de assistir uma aula do professor da UCLA, Bob Epstein, exibindo uma versão de "Dumbo" que teria alguns minutos a mais. Segundo ele, os corvos (uma alusão aos negros) apareciam uma ou duas vezes antes fazendo comentários sobre os problemas enfrentados por Dumbo. Na crítica atual, Erickson destaca  o fato das cenas terem muitos cortes rápidos, o que faria essa idéia de "censura" plausível. Ele também atenta para o fato de que o Film Almanac de 1941 mostraria "Dumbo" com duração de minutos a mais.

Segundo Michael Barrier, ele não se lembra de cenas cortadas no filme e mesmo duvida que isso exista (ou tenha existido), mas que "coisa estranhas se tornaram verdades". Talvez, segundo o historiador, alguns sketches foram criados para cenas anteriores, ou então montagens com filmagens de referência poderiam ter sido compiladas para alguma versão. Este é mais um dos mistérios do momento.

Outros casos bem documentados de mudança: O amigo e colaborador do Animagic, Fernando Ventura, gosta de citar a alteração de um zumbi africano de uma história de Carl Barks. Não só o desenho foi modificado como o nome, Corongo, foi modificado nas últimas edições. O clássico de 1940, "Fantasia", vendido anos atrás em versão, segundo a caixa do DVD, "sem cortes", possui uma série de cenas manipuladas para apagar ou esconder centaurettes negras. A manipulação foi feita antes do relançamento de 1969, para conter possíveis críticas sobre racismo. Os trechos em vídeo, recentemente comentados no fórum Animations, podem ser vistos nos links a seguir: trecho1, trecho 2 e trecho 3.

E agora uma boa notícia aos que apóiam a contextualização das produções e a preservação do que já foi produzido. O site Cartoon Brew destacou que a editora da Universidade de Massachusetts anunciou a publicação do livro "The Colored Cartoon: Black Representation in American Animated Short Films", escrito pelo acadêmico Christopher Lehman. O livro é uma adaptação da tese de doutorado de Lehman, incluindo longos trechos de suas entrevistas com Berny Wolf, Bill Littlejohn e Jack Zander. O lançamento está previsto para outubro.

E para fechar a nota, que está mais para artigo, confiram este curta da Warner Bros. da década de 1940, "Coal Black and the Sebben Dwarfs" - uma divertida obra de Bob Clampett, onde ao invés de Branca de Neve temos a "Preta de Carvão", mas que precisa ser contextualizada para o público atual.

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