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Por trás da Mágica

O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas - 1993)

O Estranho Mundo de Jack (The Nightmare Before Christmas - 1993)

Por Celbi Pegoraro

Stop-Motion - uma técnica de animar objetos inanimados é tão antiga quanto a história dos filmes. Na França, George Melies criou muitos efeitos visuais de seus filmes usando stop-motion. Seu filme de 1902, "A Trip to the Moon" continua muito especial para muitos.
Os estúdios continuaram a usar stop-motion para efeitos que não pudessem ser produzidos em live-action. "King Kong" é um exemplo extraordinário. Os "Puppetoons" de George Pal maravilharam as platéias nos anos 40. Com o desenvolvimento da animatrônica, o stop-motion ficou mais sofisticado. Mesmo sem a computação gráfica, a técnica poderia sustentar filmes inteiros.

Tim Burton e Henry Selick tornaram-se amigos quando ambos ainda trabalhavam na Disney no início dos anos 80. Mas Burton saiu do estúdio para se concentrar em filmes em live-action, enqüanto Selick foi para o norte da Califórnia se concentrar em filmes em stop-motion.

Durante seus anos de trabalho na Disney, Tim Burton desenvolveu vários projetos bizarros, entre eles um conto de Natal envolvendo um personagem chamado Jack Skellington que tenta criar seu próprio Natal. Burton chamou a história de "The Nightmare Before Christmas", e sua idéia era produzí-lo como um especial de TV. O problema é que três redes de televisão recusaram a idéia e o projeto acabou sendo cancelado. Em 1990, Tim Burton sugeriu reviver a idéia.

Peter Schneider e Thomas Schumacher ficaram responsáveis por construir toda infraestrutura para que Burton fizesse seu filme. "O controle criativo do filme ficou realmente nas mãos de Tim", diz Schumacher. Kathleen Gavin, que fôra gerente de produção de "Oliver & Company", se tornou co-produtora de "O Estranho Mundo de Jack", criando uma ponte entre os estúdios Disney e o time de produção de Burton.

Henry Selick formou a Selick Projects em São Francisco em 1986, onde produziu uma série de filmes para a TV, MTV e comerciais. Seu curta-animado de seis minutos usando stop-motion, "Slow Bob in the Lower Dimensions" fez muito sucesso de 1990. Tim Burton admirou o trabalho e convidou Selick para se juntar ao time de "O Estranho Mundo de Jack" como diretor.

A equipe de produção era mínima: eram apenas um par de animadores e alguns cenários. Mas com mais tempo a produção teve vinte cenários e cerca de quinze animadores. Filmar em stop-motion é tedioso. As figuras são movimentadas quase de forma imperceptível para cada fotografia de filmagem. A técnica requer uma imagem por frame, vinte e quatro por segundo, o que é diferente da animação tradicional onde se pode algumas vezes usar "twos" - a mesma imagem em dois frames. O estúdio produziu um minuto de filme completo por semana.

Em filmes e comerciais em stop-motion antigos, os animadores tinham a liberdade de filmar uma cena com pouco ou nenhum teste prévio, e os resultados apareciam na tela sendo bons ou maus. Para "O Estranho Mundo de Jack", um tremendo esforço foi feito para deixar cada cena do modo mais perfeito possível.  Para sincronizar os lábios dos personagens e os sons existem duas maneiras: se o boneco possui cabeças substituíveis, os lábios são sincronizados através do computador utilizando um software similar ao Quick-Time. O boneco tendo 25 ou 30 cabeças esculpidas - uma cabeça para cada vogal e consoante. Tendo a visão frontal e lateral da cabeça, elas são manipuladas para acompanhar a trilha sonora em tempo real para serem checadas, tudo com o auxílio do computador. Já os bonecos que possuem bocas de uma forma diferente tem que contar com a experiência do animador para conseguir uma sincronia perfeita.

O animador começa a filmar sua cena a cada décimo frame com o boneco para testar o cenário e iluminação, para somente depois filmar as cenas finais. As cenas sào fotografas com uma câmera Mitchell 35mm idêntica a usada para fotografar Kin Kong em 1933.
Todos os dias, os animadores pegavam seus trabalhos do dia anterior e os exibiam em exibição-teste chamada "dailies", onde são avaliadas as cenas filmadas. Estão sempre presentes todos os animadores, chefes do departamento que fabrica os bonecos, pessoal de fotografia, cenografia e design de produção, junto com o diretor Henry Selick. As cenas são analisadas para fazer com que o filme completo seja perfeito. Cenários e objetos são repintados e reposicionados, e as luzes são modificadas para alcançar o ponto desejado. E é claro, o pior sempre acontece... Apesar de todas as precauções, algumas cenas ocasionalmente precisam ser refilmadas.

O ambiente de trabalho era de amizade e prazer no que se fazia, já que o serviço era fisicamente e emocionalmente desgastante com 12 horas diárias, seis dias por semana. Todos sabiam que o filme era algo especial e único na história  da animação em stop-motion. Com a visão de Tim Burton, o perfeccionismo de Henry Selick, e o talentoso time de produção da Skellington Productions provaram que a animação em stop-motion continua a ser uma técnica viável e excitante nesta época onde se usam computadores.

"O Estranho Mundo de Jack" foi um filme produzido para lançamento pelo estúdio Touchstone Pictures - uma subsidiária da Disney que lança filmes adultos. A Disney estava preocupada com alguns pontos da história que poderia não se encaixar para o público "família" da Disney, ainda mais depois de uma cena onde uma cobra gigantesca devora uma árvore de Natal. Ainda assim, havia mais um problema: alguns personagens do filme foram produzidos usando animação tradicional - sombras do Bicho Papão, de pessoas em lápides, borboletas e principalmente os fantasmas só poderiam conseguir uma presença perfeita através da animação feita à mão. Mas os animadores tradicionais que foram incluídos no projeto eram da Disney, e por isso mesmo estavam acostumados a desenhar usando o estilo "Disney". Como o filme seria lançado sob o selo Touchstone e produzido por Tim Burton, os produtores não acharam boa idéia utilizar o estilo "Disney" nos fantasmas e outros personagens animados. Desse modo, como foi noticiado em algumas reportagens, os animadores destros teriam usado a mão esquerda para conseguirem criar personagens mais toscos - fora do estilo Disney.

Breve na Parte II, mais informações sobre cenas cortadas e sobre Tim Burton

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