Buscar
cheap jordans|wholesale air max|wholesale jordans|wholesale jewelry

Colunas

Matérias Anteriores

Por trás da Mágica

"Where the Wild Things Are" (1983)

Por Celbi Pegoraro

Existem muitas cenas de animação procuradas por historiadores da animação e de Disney. Uma dessas cenas com certeza é um teste com pouco mais de um minuto, que mostra o quanto a Disney estava tecnicamente na vanguarda da animação no início da década de 1980. Esse teste representava várias coisas: uma evolução na técnica, a ambição artística de jovens talentos dos estúdios Disney, e um certo risco por novidades - algo raro durante o período após a morte de Walt Disney em 1966.

Em 1982, os cinéfilos conferiram um dos maiores avanços tecnólogicos da animação Disney com o filme "Tron" de 1982. Até hoje com um roteiro um tanto confuso, o filme mostrou-se a frente de seu tempo, deixando até mesmo os antigos animadores Disney com os queixos caídos. Glen Keane recordou como foi o projeto recentemente numa palestra para estudantes de animação. 

Segundo o animador, numa tarde lá pelos tempos de 1982, John Lasseter e ele estavam voltando para suas salas no estúdio ambos se sentindo totalmente deprimidos. O problema? Tinham acabado de assistir cenas de "Tron". Ver aquelas cenas de animação geradas por computador era como se todas tivessem sido produzidas usando uma avançadíssima câmera multiplana. Os dois teriam discutido: "Esses caras em "Tron" conseguiram trabalhar em algo legal, então como podemos trabalhar em algo legal assim também?"

A oportunidade surgiu quando os dois animadores, ainda novatos no estúdio, convenceram o então presidente da Disney, Ron Miller (genro de Walt Disney) a lhes dar autorização para desenvolver um curta metragem. Na verdade, a aprovação para a produção do teste partiu de outro brilhante executivo no estúdio - Tom Willhite. O mesmo executivo tinha visto talento em outro animador (o então jovem Tim Burton) depremido pelo estilo tradicional Disney e fez com que ele produzisse curtas no seu próprio estilo.

Mas se John Lasseter se impressionou com "Tron", o teste não poderia ser apenas uma animação qualquer. Então a equipe decidiu que o filme seria baseado no adorado livro infantil "Where the Wild Things Are" de Maurice Sendak. E ficou decidido que eles criariam uma cena onde os personagens seriam animados tradicionalmente (a mão) sobre cenários gerados por computador. Intrigados com a idéia, a Disney liberou um orçamento para o teste. E claro: John Lasseter criaria os cenários e dirigiria os movimentos de câmera (algo complicadíssimo em animação tradicional), e Glen Keane faria a animação tradicional.

O teste final, que teria cerca de um minuto e meio impressionou todos na Disney, até o então chefão Ron Miller. Infelizmente o custo estimado para produzir um filme inteiro usando essa técnica era muito alto, tornando o projeto proibitivo. Para se ter uma idéia o custo seria tão alto, que a Disney nunca recuperaria o valor investido depois de lançado. Desse modo, a Disney cancelou o curta "Where the Wild Things Are". Glen Keane retornaria para outros projetos em animação tradicional, e John Lasseter trabalharia em outros projetos da Disney, antes de partir numa empreitada na recém-fundada Pixar, na época ainda uma empresa do George Lucas.

Glen Keane nunca esqueceu o projeto deste curta de 1982. Todos sabiam que no futuro a animação tradicional iria incorporar elementos fantásticos dessa nova ferramente que era o computador. Não foi coincidência então que fez Glen trabalhar em personagens onde algumas de suas aparições incluíram elementos em CGI. Como o clímax de "O Ratinho Detetive" (1986) onde o Ratagão animado por ele persegue em meio as engrenagens do Big Ben o detetive Basil; ou então o clímax de "Oliver e sua Turma" (1988) quando Sykes persegue os protagonistas em uma limosine por túneis do metrô (elementos gerados por computador).

Pouco depois veríamos outros grandes exemplos envolvendo animação tradicional e elementos vindos do computador. O teste de animação de "A Pequena Sereia" usando a técnica de cor digital CAPS, o vôo da águia Marahute pelos cenários australianos em "Bernardo e Bianca na Terra dos Cangurus" (1990) ou a dança no salão de bailes em "A Bela e a Fera" (1991).

Atualmente John Lasseter coordena também a animação tradicional Disney, e Glen Keane produz um filme que promete um novo avanço no modo de usar a técnica tradicional para criar uma nova experiência de animação em CGI - com "Rapunzel". Glen desenvolve o projeto desde o término de "Planeta do Tesouro" em 2002.

E o livro utilizado para criar o teste de 1982? Bem, "Where the Wilds Things Are" quase foi produzido pela Universal Pictures. Eric Goldberg trabalhou numa adaptação deste livro de Maurice Sendak por anos. Ele seria o diretor deste projeto em CGI que, por constantes atrasos, foi sendo atrasado de 2004 para 2005... e depois para 2006. Até que foi cancelado por problemas criativos envolvendo o estúdio e o autor do livro. A mais recente notícia dá conta que a Warner Bros. está produzindo uma versão de "Where the Wild Things Are" com orçamento de US$ 80 milhões, com previsão de estréia para 2008.

Quanto ao teste feito pela Disney em 1983 com pouco mais de um minuto, é possível assistí-lo AQUI (link do YouTube). O teste foi exibido dentro de um especial da Disney feito para a televisão nos anos 80. Comparado com os padrões atuais, os cenários parecem muito simples e primitivos, mas estamos falando do início da animação computadorizada.

Uma boa comparação pode ser vista vendo esses cenários feitos em 1983, com as cenas de bastidores de "A Bela e a Fera" mostrando as grades digitais usadas para movimentar o salão de bailes em "A Bela e a Fera" (filme feito quase uma década depois). Tomara que "Rapunzel" e os próximos projetos sejam tão especiais quanto o teste experimental de "Where the Wild Things Are".

Voltar



Este site está sob a licença Creative Commons, exceto aonde explicitamente descrito.