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Por trás da Mágica

O Gigante de Ferro (The Iron Giant - 1999) - Warner

O Gigante de Ferro (The Iron Giant - 1999) - Warner

Por Celbi Pegoraro

O ano de 1999 foi de grandes lançamentos em animação. A Disney lançava "Tarzan" e "Fantasia 2000", dois filmes muito ambiciosos. No entanto, um "pequeno" filme se destacou em meio a concorrência. Dirigido por Brad Bird, que depois iria para a Pixar trabalhar em "Os Incríveis" e "Ratatouille", o filme em questão era uma história divertida entre um garoto e um estranho gigante de ferro vindo do espaço. "O Gigante de Ferro" (The Iron Giant), lançado em 1999 pela Warner, é um dos melhores filmes de animação da década de 90 e, se bobear, de toda a história. Infelizmente sofreu com tropeços no lançamento.

A Warner tinha (e tem) pouca tradição no lançamento de filmes animados. Em 1997, havia lançado através da produtora Turner, o musical animado "Gatos Não Sabem Dançar" (Cats Don´t Dance), um divertido filme que prestou homenagem a Gene Kelly e teve canções assinadas por Randy Newman. O filme, dirigido por Mark Dindal (de "O Galinho de Chicken Little" e "A Nova Onda do Imperador"), capturava um pouco do velho estilo da animação Warner com uma pitada de modernidade. Infelizmente o marketing e o lançamento pífio jogou o filme na obscuridade.

Dois anos depois, chegava a vez de "O Gigante de Ferro". A história, em princípio banal, é cativante. Somos apresentados ao garoto Hogarth, que vive no Maine (EUA) em plenos anos 50. Numa situação inusitada, o garoto encontra o gigante de ferro de origem desconhecida, mas logo cultivam uma forte amizade. Mas nem tudo está bem já que que os estranhos acontecimentos na região chamam a atenção de um agente do governo, Kent Mansley, preocupado com as possíveis ações de espiões - afinal estamos na Guerra Fria.

O filme foi feito em menos tempo que um filme tradicional convencional e Brad Bird coordenou o trabalho dos animadores num esquema diferente do que podemos ver na Disney ou DreamWorks. Ao contrário dos outros estúdios, em "O Gigante de Ferro", não existiu supervisores de animação para cada um dos personagens. Ao invés disso, cada "lead" (animador principal) ficou responsável por animar uma sequência do filme, com o auxílio de equipes de animadores assistentes. Neste filme foram necessários dez dos melhores animadores "lead" da indústria: Greg Manwarring, Mike Nguyen, Dean Wellins, Wendy Purdue, Tony Fucile, Stephan Frank , Chris Sauve, Bob Davies, Steve Markowski (o Gigante) e Richard Bazley. Na animação de efeitos, um destaque precisa ser dado ao animador Michel Gagné, um dos grandes talentos nessa área. O filme é repleto de belíssimos exemplos de animação de explosões, chuva e destroços.

Na época de seu lançamento a crítica foi extremamente positiva sobre o filme. A rede CNN chegou a destacar que "O Gigante de Ferro" não só era o melhor filme de animação do verão [americano] de 1999, como era o melhor filme já lançado no ano. Mas tantos elogios não renderam sucesso de bilheteria ao filme. Com o suporte de uma campanha de marketing capenga da Warner Bros. na época, o filme passou despercebido, e pouco tempo depois sumiu dos cinemas. Além disso, animação infelizmente é quase sempre vista como "coisa de criança", e muitas das crianças sequer sabiam que o filme seria lançado - sobrava os adultos. Por mais que o filme seja uma obra prima, era difícil convencer os adultos à assistí-lo, ainda mais porque o marketing não fez o trabalho de divulgar a produção. Então o público simplesmente não apareceu. Para se ter uma idéia do estrago, o filme custou US$ 48 milhões para ser produzido. Em seu fim de semana de estréia em 2.179 salas, o filme faturou apenas US$ 5,7 milhões. Após 16 semanas em exibição, o filme alcançou US$ 23,1 milhões - muito abaixo do orçamento.

O fracasso nas bilheterias resultou numa crise na Warner Bros. Animation que resultou na saída de Brad Bird. Na época, ele se preparava para produzir outro de seus grandes projetos pessoais, "Ray Gunn". O estúdio preferiu não dispor de toda a equipe de animadores, aprovando o projeto "Osmosis Jones", sobre as aventuras de células no corpo humano. O esquema de produção voltou a ser o tradicional, com supervisores de animação.

"O Gigante de Ferro", além da excelente animação, tem personagens muito bem desenvolvidos e bons dubladores. Temos Eli Marienthal com o garoto Hogarth Hughes, Jennifer Aniston como a mãe Annie Hughes, o futuro astro de filmes de ação Vin Diesel na voz do Gigante de Ferro, Christopher McDonald como o agente estressado Kent Mansley, e Harry Connick Jr. como o amigo adulto de Hogarth, Dean McCoppin. Uma homenagem foi feita a dois veteranos animadores da Disney. Os maquinistas do trem que sofre um acidente por causa do Gigante são as caricaturas de Frank Thomas e Ollie Johston, dublados por eles próprios. Ambos repetiriam a dose no final de "Os Incríveis" em outra aparição.

A excelente trilha musical foi criada por Michael Kamen e é absolutamente de bom gosto, complementando as ações do filme com muita emoção e uma dose perfeita de tensão. O filme foi lançado inicialmente em home-video num DVD decepcionante que só continha um making of feito para a TV. Após inúmeros pedidos de fãs a Warner lançou não faz muito tempo uma edição especial do DVD. Pena que o Brasil continua com a edição original.

Fica a dica de uma das obras primas da animação da década de 90, e um bom exemplo que a Warner poderia se espelhar em seus próximos projetos em animação. Quem não conhece e está curioso, pode conferir o trailer do filme neste link (do YouTube). E aqui um video-demo da da animação por Richard Bazley. Para quem curte trilhas de filmes, Michael Kamen comenta seu trabalho nesta animação neste link (demais partes aparecem na página).

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