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Considerações e Mitos sobre Mickey Mouse

Considerações e Mitos sobre Mickey Mouse

Por Celbi Pegoraro (18/11/2009)

Mickey Mouse completou 81 anos em 18 de novembro. Mas já reparou que não houve nenhum destaque oficial por parte da Disney? Não se espante. Há anos Mickey tem recebido pouco destaque. Suas maiores celebrações aconteceram em 1978 (quando completou 50 anos ganhando desfiles e programas especiais de televisão) e em 1988, cujo sexagésimo aniversário foi celebrado em escala mundial – no Brasil os personagens Disney vieram para São Paulo desfilar na Parada do Dia das Crianças promovida pelo SBT.

Mickey é vítima de sua própria fama. Começou como astro de desenhos em preto e branco e não era nada bonzinho. Era malandro e agia com mais violência, comum aos astros da animação da Era de Ouro da animação nos EUA. Ao fim da década de 1930, sua personalidade foi sendo moldada e o papel genioso caiu no colo do Pato Donald – que viu sua popularidade aumentar ainda mais.

Em 1940, estrelou "Fantasia" no segmento O Aprendiz de Feiticeiro". Na década de 1950, se tornou astro do “Clube do Mickey” na televisão e porta-voz dos bons exemplos e do chamado edutainement Disney (entretenimento feito para educar e divertir), termo usado pela primeira em 1948 com a série True-Life Adventures.

Já a partir da década de 1960 e se consolidando na era Michael Eisner (pós-1984), Mickey se tornou muito mais do que um personagem de animação. Ele era agora um símbolo corporativo que precisava ser resguardado. Poucos sabem o pesadelo que animadores tiveram para produzir o curta “Cérebro Fugitivo” (1995), já que para muitos de fora Mickey nunca poderia ser um monstro.

Se até os anos 1980, a Disney era basicamente um conjunto de estúdios e parques temáticos, a década seguinte se transformaria num dos maiores conglomerados de mídia do mundo, com editoras, canais de TV a cabo, rede de televisão aberta (ABC), times esportivos, rádios e negócios diversos.

Mickey passou a dividir espaço com outros lucrativos personagens e produtos. Seja Pooh, Fadas, personagens Pixar ou High School Musical, Mickey Mouse (agora pouco visto após duas séries animadas “Mickey Mouseworks” e “House of Mouse”) foi sumindo no meio do diversificado universo disneyano.

Se em 1988, os 60 anos foram comemorados em escala global, em 1998, a maior festa ocorreu somente no Japão – quando centenas de japoneses se juntaram na Disneylândia de Tóquio para formar um mosaico com a cara do Mickey. A celebração dos 75 anos, em 2003, foi ainda mais contida, mas no Brasil tivemos pelo menos a Exposição Mickey na Avenida Paulista em São Paulo.

Agora, percebendo os riscos do Mickey perder popularidade, a Disney corre atrás do prejuízo. Os desenhos clássicos retornam aos poucos à televisão (ainda que o Disney Channel os omita de forma vexaminosa), desfiles e eventos especiais estão planejados em vários cantos do mundo, e um “novo Mickey” (mais malandro e não tão bonzinho) deve surgir com o game “Epic Mickey”.

O que mais espanta, vendo agora pelo lado histórico, é que um personagem como Mickey Mouse ainda se vê em torno de grandes mitos e incertezas. Quer apostar? Você certamente viu em dez de cada dez sites, jornais e emissoras de TV, que “Steamboat Willie” é o primeiro curta de animação de Mickey Mouse. Certo? Tecnicamente errado!

Antes de mais nada, como bem lembrou o amigo João Solimeo, Walt havia criado o coelho Oswald (O Coelho Sortudo) em 1927 após o sucesso das Comédias de Alice. Era um contrato com a Universal Studios, onde Walt produziria uma nova série de curtas para Charles Mintz e George Winkler. Oswald era um personagem típico da Era Silenciosa da Animação, cujo grande astro era o Gato Félix.  O que Walt não esperava é que lhe passassem a perna e roubassem o personagem (que só voltou para a Disney em 2006).

Walt Disney (junto com Ub Iwerks e Les Clark) precisou se virar para montar um estúdio e criar um novo personagem. Enquanto o irmão Roy estava do outro lado do país tomando conta da parte financeira, Walt estava num trem rabiscando o que seria Mickey Mouse, que teria alguns traços do Oswald (pelo menos em seu início), e assim os primeiros curtas foram produzidos.

Steamboat Willie” estreou em 18 de novembro de 1928, mas Mickey já tinha aparecido antes em “Plane Crazy” (15 de maio de 1928), originalmente mudo e tendo as aparições de Minnie e Clarabela. O curta foi sonorizado e relançado depois do sucesso de “Steamboat”.

O segundo curta produzido foi “The Gallopin´Gaucho", oficialmente o segundo curta do Mickey produzido, mas lançado apenas em 21 de novembro de 1928. Também mudo, o curta é a primeira vez que Mickey enfrenta João Bafo de Onça. “Steamboat Willie” ganhou fama e a honra de ser a “primeira aparição” de Mickey devido ao grande sucesso do advento do som.

Outro mito: Este não foi o primeiro curta de animação sonoro. Os estúdios Fleischer já tinham lançado uma série de curtas usando o sistema DeForest em meados dos anos 1920, entretanto havia o problema do som não ser sincronizado com a ação na tela. Disney aperfeiçoou a novidade com uma perfeita sincronização em "Steamboat Willie".

Se este mito pode ser facilmente decifrado, outros nem tanto. Quem desenhou, de fato, a imagem final de Mickey para os primeiros curtas? Será um produto da imaginação de Walt Disney e das mãos de Ub Iwerks? Ou será que Les Clark teve um impacto menos reconhecido?

E o nome Mickey? Todos sabem que a esposa de Walt, Lillian, rejeitou a primeira proposta do camundongo se chamar “Mortimer”, mas ela de fato sugeriu o nome “Mickey” ou apenas preferiu quando Walt sugeriu o nome como alternativa? Essas questões, por incrível que pareça, ainda estão abertas à discussão. Esses detalhes são mais interessantes quando sabemos que o próprio Museu da Família Disney deixa estas questões abertas.

Enfim, 81 anos, e muita coisa ainda para se descobrir do camundongo mais famoso do mundo. Parabéns Mickey Mouse!

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