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Por trás da Mágica

Mulan (1998) - Parte I

Mulan (1998) - Parte I

Em 1992, o departamento Walt Disney Television Animation (que produz os produtos para televisão) iniciou o projeto "China Doll", contando a história do ajudante de um emissário britânico que se apaixona pela filha do imperador da China. No fim do filme, o rapaz resgata a filha do imperador da sociedade repressiva, casa-se com ela, e ambos vão para a Inglaterra. Quando o projeto foi para o processo de desenvolvimento, todos achavam que era apenas uma versão oriental de "Pocahontas", mas com um final mais feliz nos moldes disneyanos. Pouco tempo depois, decidiu-se por tentar contar a lenda de Mulan.

Tempos depois, Peter Schneider (na época presidente dos estúdios de animação) estava supervisionando os projetos do departamento de TV, quando notou o desenvolvimento de "China Doll". O departamento principal (conhecido como Walt Disney Feature Animation) buscava há anos um projeto que fosse ambientado no oriente - um projeto que oferecia drama e uma forte heroína.
É bom saber que além do interesse artístico havia o interesse estratégico. Em 1987, por exemplo, Disney assinou contrato com o governo francês para a construção de um mega-resort que incluía dois parques temáticos - a Euro Disney (agora conhecida como Disneyland Paris). Para mostrar que Disney tinha mais interesse na Europa, o estúdio foi incumbido de produzir mais filme e animados inspirados no continente. Daí surgiram "A Bela e a Fera", que foi lançado meses antes da inauguração da Euro Disney e "O Corcunda de Notre Dame" em 1996, cujo projeto foi iniciado em 1992. É claro que os animados eram escolhidos sempre de maneira semelhante: através dos "Gong shows", onde artistas, roteiristas e animadores apresentam suas ideías para futuros projetos, que são examinados e escolhidos por uma banca de "jurados" que inclui executivos da Disney. Nos anos 90, Disney e o governo de Hong Kong já iniciavam negociações para a construção de um resort na China, então porquê não aprovar um animado que fale da China? Assim "Mulan" entrou em produção.

O time de produção chegou a assistir um filme dos anos 60 que apresentava a personagem Fa Mulan, mas ficou decidido que eles apenas usariam o poema como ponto de início da produção. O projeto começou sendo uma comédia romântica entre Mulan e Shang, onde os dois lutariam juntos no exército. Houveram várias versões. Numa delas Mulan e Shang eram namorados no início da história. Em outras, eles não se conheciam até se alistarem no exército, ou então Mulan chegava a vê-lo no início mas não gostava de Shang. Ainda numa outra versão, o filme acabava com os dois cavalgando em direção ao pôr-do-Sol, mas em cavalos separados.

O principal problema era que o romance entre Mulan e Shang estava criando um sub-enrêdo na grande história sobre a motivação de Mulan em se alistar no exército. Mais ainda, o romance estava enfraquecendo a personalidade de Mulan, já que mostrava-se claro que ela precisava de um homem. A motivação de Mulan tinha que ser como no poema - o amor pelo pai. Daí surgiram os obstáculos de o que fazer com Shang: primeiro o transformaram num general, mas Shang parecia estar muito distante de Mulan. O time de artistas ainda tentou fazer Shang como soldado ao lado de Yao e Ling (formando o trio de amigos de Mulan). No final, decidiu-se fazê-lo sargento, o que acabou cortando o personagem originalmente criado para o posto.

Mulan também precisava de um parceiro cômico. O primeiro personagem foi um panda engraçado chamado Moo Goo Gai Panda. A idéia foi logo descartada, mas como homenagem, um panda aparece no filme transportando Mushu e Cri-Kee disfarçados de mensageiro. O panda foi substituído por um dragão e uma fênix, e depois por um par de dragões chamados Yin e Yang. Finalmente pensaram num dragão de duas cabeças - o que não seria apropriado já que em "A Espada Mágica - Quest for Camelot" lançado em 98 (pela Warner) existe um dragão de duas cabeças. Segundo Tony Bancroft, a idéia original era ter dois dragões com personalidades opostas, simbolizando o conceito chinês de yin e yang, mas havia muito mais diálogo entre eles do que com Mulan. Ela apenas assistia a discussão dos dois. A solução foi criar um único dragão que teria personalidade oposta a de Mulan - eles seriam o yin e yang.

Mushu também serviu como contra-peso para o falcão do vilão Shan-Yu. Um fato curioso é que durante a batalha final entre Mulan e Shan-Yu dentro do palácio, os artistas haviam criado uma cena em que Mushu faria um vôo cômico numa pipa junto com o falcão. Apesar de muito engraçada, a cena fugia do foco principal da história, desse modo a cena foi descartada.

O time de produção ainda enfrentou os problemas da cena onde descobre-se que Ping é mulher (Mulan). Os artistas criaram variadas cenas para depois da descoberta, mas chegou-se a conclusão que era melhor encerrar o segundo ato com Mulan sendo abondonada sozinha. Mas várias idéias foram escritas para dar mais desafios a Mulan antes dela salvar a China. Numa das idéias Mulan descobre que os Hunos se infiltraram num carro alegórico em forma de dragão, somente para depois descobrir que a rua está repleta de dragões alegóricos. Em outra idéia, Mulan poderia revelar a verdade sobre Bao Gung, um membro da côrte imperial que trai o imperador. Todas estas idéias foram descartadas quando o roteiro foi modificado, mas o design e a aparência de Bao Gung acabaram sendo utilizadas na criação do General Li, pai de Shang.

Uma delegação Disney visitou diversas regiões da China para fazer pesquisas para o filme. O diretor de arte Ric Sluiter comentou que "menininhas chinesas conhecem a lenda da Mulan", ou seja, a personagem estava viva na mente dos chineses. Para o design dos personagens, Chen-Yi Chang foi o escolhido até por ser mais ligado a cultura da região. Chang também trabalhou no design dos personagens de "Tarzan", "Atlantis" e "American Dog".

Na PARTE II, leia mais sobre os bastidores de "Mulan" como o desenvolvimento musical do filme. E descubra novas curiosidades sobre o filme.

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